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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Ly quer fazer Botox


From: Holly
Ly, coloquei 500 euros na conta de Falcon. Não tinha a cidade eu supus que fosse Rio de Janeiro, certo? Acho que no final de semana chega. Quero ver as fotos "antes e depois" pra ver se realmente funciona.
Boa sorte!!!!
Holly 22-11-04

From: Ly

Holly,
Obrigada, obrigada, obrigada, vc me emocionou.
Vc já me proporcionou duas coisas que achei que jamais teria:
Isso e conheçer Paris, enfim Europa.
Tô chorando, agradecendo a Deus, cada vez mais sinto que ele não me abandona e o melhor, Ele satisfaz o nosso desejo.
OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADA, OBRIGADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Bjs Ly 22-11-04

From: Tess
Oi Holly,
Meu amigo juiz me telefonou, disse que ligou para a juíza, e que se comprometeram a dar andamento ao processo. Ele disse que o embargo foi coisa simples, atitude canalha da suarez para ganhar tempo. Mas ele disse que ainda será um processo lento. Vamos aguardar.....
Já temos a data que o Banda GV vai para Italia: de 8 a 11 de setembro 2005. Deus é forte, né? Tá longe, mas vai passar rápido vc vai ver. Só não sei se eu vou poder ir.......
Beijos
Tess 23-11-04
Pra os tios e tias corujas,
1) Sábado estávamos indo para casa de Zina, andavamos na paralela, uma vista bonita, etc,, etc, aí ela nos pergunta: papai, porque o olho da gente é tão pequeno e a gente enxerga tão grande? È mole?
Alguns de vocês sabem que Lory ganhou um CD infantil da turma do " Diante do Trono", pois é, não pára de ouvir e cantar, simplismente adorou! Este Cd fala de um site de crianças do Diante do Trono cheio de brincadeiras e sempre entramos no site e deixamos ela brincando, pois bem, hoje Petter deixou ela no computador ( o meu é claro) e ela ficou sozinha, quando ele voltou, ela tinha entrado em " contatos" e feito um e-mail para o pessoal do diante do trono ( detalhes: todos são personagens de desenho animado), e no espaço reservado para colocar o e-mail, ela entendeu (é Mãe) e colocou meu nome e na parte para escrever o texto ela escreveu o que mando em anexo. Petter enviou o e-mail dela e colocou a idade, depois passou prá mim pelo mensager. Vejam que menina esperta, tem só 5 anos.
Beijos de uma mãe coruja ao quadrado.
Tess 23-11-04
O e-mail foi esse, mando na íntegra, como ela escreveu aos personagens do desenho:
"adoreivoceis ed voce e moninto (muito, ndr)
simpilis bolota voce e lindo vareta
euteamo
t0nicoeugosto de voce
crianças diante do trono gosto
moninto de voce"
Tess diz:
Meu deus, minha filha é um gênio!!!!!!
Petter diz:
o desenvolvimento dessa menina é fantástico

From: Tess
Holly, como está vc? Soube que teve um terremoto aí, nos mande notícias. Já te mandei vários e-mails e vc não me responde
Tess 25-11-04

From: Ly
Tess, é impressionante a fidelidade de Deus, Ele não falha.
E tudo só nos é dado do tamanho da nossa fé, nossa busca e nossa atitude.
ELE realmente é maravilhoso, só quando vivemos sob sua graça é que conseguimos enxergar.
Hoje eu acho um absurdo meu questionamento a Deus, realmente além de tudo. Ele ainda é muito paciente. Sendo eu a única culpada, ainda tinha a petulância de culpí-lo.
É Tess, acho que chegou o momento das bênçãos.
Realmente Holly, o que tá havendo??????
Bjs
Ly 25-11-04

From: Ly
Meninas,
O QUE ACONTECEU??????
Cadê Holly, será que está de férias, de novo?????????
hei! Cadê todo mundo???????
Ly 26-11-04

From: Samantha
Holly està com o computador quebrado e telefonou à Tess avisando.
Ly, Marilyn e Nelly estão hospedados lá em casa. Vieram para a conferência. Nelly vai ser consagrado a Pastor no sábado. Falei de vc e da sua volta espiritual, eles ficaram super felizes. Gente, Nelly tá super-mudado. Ele e Marilyn vivem agora sozinhos, numa cidadezinha provincia de Feira de Santana. Os dois tão super unidos e vivendo bem ligados, ele tá mais maduro, embora ainda tenha umas besteiras machistas. Os filhos tão todos tocando a vida. Nielson em Natal, casado e pai de uma menininha, ainda estuda Direito , mas é muito querido por todos e dizen que ele se tornará político por lá. Cleyton trabalha numa empresa do Pólo, como carreteiro e parece que é querido pelos chefes. Tem uma menina e um menino e dizem que é um excelente pai. Mas continua brabo e vez em quando arruma confusão, Nelly e Marilyn estão amando Thais. Ela tá super bem empregada, tá fazendo pós, é super reconhecida e já foi promovida pela competência. Se recicla, participa de congressos, cursos, deve fazer mestrado , está ensinando numa escola de especialização e ainda é enfermeira coordenadora do Estado. Ajuda muito Nelly e Marilyn com grana, está pagando todas as dívidas deles do falimento da loja, ela mesma negociou e está pagando. Thais tomou a iniciativa e ajudou. Comprou roupa nova para eles virem pra Conferência, sapatos ,e encheu a mãe de acessórios. Todo mês manda para Sinho, em Natal, 500 reais para ajudar ele. É uma menina de ouro mesmo. O namorado é um empresário bem sucedido, que adora ela e, segundo Marilyn faz tudo por ela, quer casar como manda o figurino. Vi a foto e ele é gatão. Pois é, acho que o distanciamento dos filhos tornou Nelly uma pessoa melhor. Hoje ele até reconhece que a violência de Cleyton é fruto da educação violenta dele tb. Ele falou isso de uma forma bem arrependida. Tá doido pra ser pastor e comandar um campo. Nando, segundo falam, está fazendo um belo trabalho pastoral tb, transformou aquele campo problemático em uma senhora igreja e agora está cotadíssimo para ser o Presidente da sede de Salvador. A Conferência, hoje cheia de picaretas, só confia nele e dizem que ele é a solução para consertar a Sede de Salvador, que é super mal administrada. Só que nen Nando nem Margot estão querendo deixar o campo deles, onde estão muito bem, inclusive de grana, para pegar Salvador e começar tudo de novo. Mas enfim, será o que Deus quiser. Tô adorando eles lá em casa, a gente fica conversando até tarde e relembrando de fatos da família. Pra mim tá sendo bem legal. Liguem pra ele. Só ficam até amanhã. À noite eles estão em casa. Holly, cd vc? E o terremoto de Milão. Vc tá viva, né?
Bjs Samantha 26-11-04

From: Ly
Oi, gente. Quais as novidades???
Ontem não trabalhei, fiquei 4 dias sem ir ao banheiro, tive uma crise e fui baixar no hospital pra fazer lavagem. Gente é muito ruim, que coisa doida.
A dor era tanta, porque provocou uma hemoroida, e eu tinha medo até de fazer xixi, aí tb tive que colocar sonda pra sair o xixi. Terrível. Mas coloquei tudo pra fora e já estou na ativa agora.
Holly, ainda não consertou o computador????
Samantha recebeu a grana là do interior????
Tess o cara não entrou em contato.
Bjs
Ly 01-12-04

From: Samantha
Ly, que coisa braba foi essa aí? Vc e os meninos sempre tiveram essa tendência. Já comigo a coisa é inversa. Tudo que como dá diarréia. Acho que tenho a síndrome do intestino irritável. Holly ainda não deu as caras. Já recebi, graças a Deus a grana do interior, aos trancos e barrancos e a conta gotas. O ruim é que a gente acaba super prejudicada porque não consegue se organizar e nem se planejar. Um dia recebe um tanto, paga as coisas mais imediatas, gasta, depois recebe outro tanto, outras contas já venceram e por aí vai, vc não consegue se equilibrar. É uma merda. Até que ganhei um dinheirinho nos últimos meses, só que em doses homeopáticas que acabou gerando desequilíbrios. Tb recebi o de São Francisco e esse aí, veio todo mas eu sequer vi a cor, já tava com tudo vencido duplamente e o $ não deu nem pro melo. pensei em comprar umas coisinhas pra mim, fiz planos e niente. Brena está me dando uma despesa horrorosa e pago tudo sozinha e a vista. curso de inglês, curso de ginástica, banca, transporte escolar, ortodentista, sem falar nos extras: cinema, mesada, roupa, acessórios, petshop pro cachorro, veterinário, remédio, ração e ainda tudo que o cahorro tem direito, shampoos, colonias, pasta de dente (tudo caríssimo)e se não fizer isso a casa fica uma fedentina só.Ppor aí vai. Quando faço as contas é um baque. Tô aflita com isso, até porque o porra do pai não entra com nada, nada. Ele ficou de pagar a escola dela, cuja mensalidade é 200 reais. Fui informada pela escola que ele não pagou um único mês esse ano e que tá devendo o ano passado também. Como é que pode gente? E ainda abre a boca pra dizer que PAGA a escola de Brena, que cara de pau, viu? E Brena, está numa fase que não me dá o menor gosto. Respondona, rebelde, desaforada e desafiadora. Tá se achando. Ficou na final de quatro e ainda vai pra recuperação de matemática. Só quer saber de rua e das amigas, fala mal do curso de inglês, da ginástica, faz cara feia pra tudo. Tá um porre. Não tô suportando a criatura, tenho vontade de sair de casa antes dela e só voltar quando ela tiver dormindo. Tá um horror! Que fase!
Beijos Samantha 01-12-04

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Novas confissões secretas de Holly


From: Holly

Meninas, vcs estão pra entrar, pela primeira vez, nos recônditos do meu âmago, jamais invadido por nenhum outro. Mas fico contente que isso aconteça pois é a irrefutável prova que estou curada de muitos males. Vou forte mas consciente que me fará mais bem que mal essas "confissões" Estou tirando um grande peso da minha alma, podem acreditar.
Esse capítulo é um pouco triste, pois falo de crises existenciais, as quais eram uma constante na minha vida, na fase de transição adolescência-adulto.
Quando a crise baixava, eu ficava mal mesmo. Era extremamente introvertida pra poder confidenciar com alguém, preferia a morte, a que alguém viesse saber que passava momentos negros na minha jóvem vida. Às vezes eram fortes, eu chorava muitas vezes por toda a noite, a noite era o meu refúgio, onde ninguém poderia interferir. Um dia tive uma dessas crises, quando morávamos sozinhas. Estava só em casa e não esperava que alguém aparecesse naquela hora. Chorei tanto que meu rosto estava deformado, fazia um grande esforço pra abrir os olhos de tão inchados. Improvisamente, alguém bateu na porta e eu tive um sobressalto. Uma vergonha me avassalou por completo e eu fiquei paralisada entre o medo e a vergonha de que alguém me visse naquele estado. Contra vontade, fui abrir a porta, e era painho que chegava do interior pra nos visitar (como seria bom ter um telefone naquela época!). Tentei esconder o rosto mas era impossível, tive que afrontar o olhar indiferente de painho; naquele momento me senti pior ainda. Era evidente que ele notou o meu sofrimento marcada no meu rosto deformado, nossos olhares se encontraram e eu li, em um lapso, a sua interrogação, mas não me disse nada, nem notei nenhum sinal de preocupação. Ou ele era muito bom em disfarçar ou notou e não se importou. Eu preferi aceitar a segunda hipótese. Naquele momento me senti orfã de pai e mãe.
Nessas crises eu me interiorizava como um caracol, e me escondia, o mais que podia, dos olhos dos outros. Me refugiava no meu quarto mas mainha, assim que notava minha ausência, me gritava aos berros. Tenho certeza que ela entendia que eu não estava bem, psicologicamente. Mesmo na sua ignorância, ela era muito perspicaz e sábia, porém, nunca teve uma palavra de conforto ou de compreensão, nenhuma aparente preocupação em me ver naquele estado deprimente, pelo contrário, parecia que sentia prazer em futucar uma ferida já aberta, sem piedade. Caia em cima de mim com reprovações que me feriam no âmago. Ela conseguiu incutir em mim um forte complexo de inferioridade, conseguiu fazer com que os meus anos pesassem exageradamente sobre mim, mais daquilo que representavam realmente. Não sei se fosse pelo fato que invejasse a minha juventude, por se sentir mais velha do que realmente era. Acho que, em algum momento da vida, toda mãe sofre dessa psicose com relação às filhas. Sei que ela me tirava do quarto com pedras e canivetes. Dizia que eu parecia as "velhas de tenente", não perdia tempo em me avisar que, aos 16 anos, me lembro bem, eu deveria perder a esperança, pois eu não era mais adolescente, não, e dibicava o mais que podia, você é jà uma moça velha, (ó praì!) tome vergonha etc. Acho que foi por isso que eu sempre tive vergonha de dizer a minha idade (vejam como as palavras das mães fazem um grande efeito nos filhos e como marcam talvez por toda a vida) lembro que muitas vezes rejeitei convites pra conhecer pessoas novas, por puro medo de que me perguntassem a minha idade. Fazia mil estratégias pra justificar os meus "vergonhosos" anos. Dizia que painho trocou a minha idade com a de Nando, que meu registro estava errado etc. Lembro que qdo fiz 12 anos, (já tocava na banda musical) mainha fez a tradicional festinha e chamou o pessoal da banda. Aí George (o maestro) qdo entrou, foi logo perguntando a minha idade, gelei dos pés à cabeça, e respondi ingenuamente: "não sei não, mainha é quem sabe" pra ver se escapava, mas mainha ouviu e gritou "12 anos" com todo o gosto. e George, inadivertidamente, falou brincando: "tá ficando velha, heim!" Pra quê!!! A festa perdeu o significado, chorei toda a noite.
Qdo dei a "confissão de fé" pra me batizar (tinha disso tb, né?), aos 13 anos, lembro que tinha aquele ritual, vc alí na frente como um réu pra ser dilapidado pelo público delirante de alegria, por poder atirar uma pedra, como em uma arena (que tortura!), painho perguntou se alguém tinha algo contra o meu batismo, que se pronunciasse. Irmã Lilyana (mãe de Meril) se levantou, e disse que ela não via nada que impedisse o meu batismo, só aquelas coisas de criança que não se leva em conta. CRIANÇA!!! esbugalhei os olhos, então alguem me considerava uma criança, a 13 anos!!! Não acreditava no que ouvia. E realmente, foi o que aconteceu. Não quis crer, achava que era Lilyana que não sabia o que era uma criança.
Pois é. E mainha continuava a dilapidar minha auto estima como podia. As palavras mais gentis eram: cara de panela, cara larga, que eu era corcunda, nega como tifú, (o que é isso, mesmo?), macaca preta, cabeça de trombeta e por aì vai.

From: Ly

Pôxa Holly, quantas coisas vc viveu em família, né?
Queria ri da sua carta e não podia, tava anestesiada, gente que maluquice, tou eu aqui, segurando gelo nas buchecas, querendo ri, sem saber se posso ri ou não, penso: e se deformar? Que dia achei pra ler emails engraçados.
E sabe, Holly, falando da sua carta anterior (Mãe primorosa 1), fazer xixi na cama não era previlegio seu, deixei de fazer somente depois que menstruei, aos 13 anos. Também lembro de algumas reclamações, mas não lembro de esfregão, graças a Deus, lembro de ter que dormir com Lourdes, a babá, e dela me acordando com beliscão, no meio da noite.
Sofri muito com isso, mas sofri mais com Tess, que ameaçava contar pra todo mundo se não fizesse o que ela queria e muitas vezes tive que me render a ela, só pra não espalhar, pode????
Lembro de quando estudava no Santa Luzia e subi a bainha da saia escondido, pra partecipar de um desfile, dei uns pontos grandes pra que as pregas ficassem certas e ia sair bem cedinho pra mainha não ver que eu tinha subido a bainha, coloquei debaixo do colchão e quando acordei tava toda mijada, gente que raiva de mim, naquele dia eu quis me bater, pq tive que ir com a outra saia sem bainha e comprida.
Ly 13-12-04
From: Holly
Mãe tirana!
Um dia, gente, que dor que senti naquele dia. Eu estava dormindo na cama de cima do beliche, tão encolhidinha no meu mundo interior e tia Ely estava lá em casa. Aí, entraram no quarto, mainha e tia Ely, e se sentaram na cama de baixo sem notar que eu estava em cima, e começaram a conversar. Mainha começou a falar de mim, não me lembro exatamente o motivo, mas lembro que ela estava querendo se justificar com tia Ely, por algo que me fez e que me ofendeu, querendo dar razão a ela mesma, se fazendo de vítima, e dar a culpa toda a mim, pra fazer crer a tia Ely que eu era a danada, só que eu sabia perfeitamente que ela não estava dando o peso justo àquela história. Eu estava já inchando como um sapo, me sentia um animal ferido pela traição, por parte de minha mãe; naquele momento, vi nela a minha pior inimiga, sabem o que é isso pra uma menina, pouco mais que adolescente? A um certo ponto, mainha, toda senhora da razão, falou assim: (Essa frase me lembro bem pois era o motivo do meu maior complexo) "Holly é feia, Ely, é uma menina feia..." gente... foi uma facada. Eu sabia que ela me achava feia pois me dava todos aqueles apelidos mas nunca imaginei que ela declarasse abertamente a terceiros. Meninas, eu dei um salto da cama como uma besta ferida, olhei mainha na cara e vi a surpresa dela por a ter pegado no flagra, e gritei com todo o meu pulmão, "SOU FEIA PQ FOI A SENHORA QUE ME FEZ, VIU?" e saí correndo e me tranquei no quarto. Eu não sei se vcs tem idéia do que pude acolher no meu coração naquele momento, pq não era o caso que eu fosse uma menina rebelde, que batesse bico com minha mãe, nunca. Pelo contrário. Era muito obediente e talvez fui a única que me anulei, pra não dar desgostos aos meus pais, nem mesmo na mínima coisa. Contraditoriamente, muitas vezes, ela admitia que eu era a melhor filha, que não dava desgosta a ela como os outros.Um dia ela me disse uma frase e eu nunca esqueci, talvez pq senti que veio de dentro dela com uma grande força de sinceridade, e peguei a frase ao pé da letra mesmo. Ela disse que eu ia ser muito feliz. Que tinha certeza que eu ia ser uma pessoa muito feliz, repetiu. Eu senti poder nessas palavras.
Hoje, além de reconhecer que não sou feia (naquela época, menos ainda), posso me considerar uma heroína, por conseguir superar a maior parte desses traumas. Não foi fácil e acho que a vida sozinha, em um país estranho, me fez tirar e explorar todas as minhas risorsas, as garras escondidas pra autodefender-me e consegui, finalmente, enfrentar os monstros dentro da minha psique. Qdo cheguei aqui - vou contar um episódio que envolveu Samantha, involuntariamente, pq ela não conhecia nada de mim, visto que lutava com meu interior sozinha. Aprendi a disfarçar a minha introversão, com muita eficácia, pra proteger e esconder esse lado obscuro, pois no fundo gostaria de ser forte, de ser autônoma e lutava (sem muito êxito) pra conseguir. Invejava a autonomia de Ly e de Samantha, vcs eram o meu espelho a quem eu deveria imitar. Eu teria que andar na "Questura", (tipo de instituição onde se tira documentos como passaporte etc) lembra-se Samantha, pra fazer os documento. Humildemente pedi a Samantha pra me acompanhar (ela já tinha 7 meses que estava aqui), com a desculpa de que não sabia falar ainda a língua, mas Samantha, estrategicamente, disse que eu teria que ir sozinha pra começar a me comunicar, senão ficaria dependente dela e nunca me desenvolveria. Achei uma resposta coerente, mas isso não diminuiu a minha tensão. Saí cheia de meiões, (naquela época, não sabíamos nos vestir para o frio, nem eu nem Samantha, e achávamos que, mais roupa se pendurasse no corpo mais protegida se ficava; hoje sei que, basta uma simples blusa de lã e um capote, uma boa meia fina e estamos bem, basta que seja de qualidade, o que na época não imaginávamos) e lá vai eu, 3 meias finas, meiões grossos, calças pesadas, camisa, camiseta, Blusão, Blusão e blusão, capa pesadíssima, bota pesando 5 k cada uma e, pra completar, chapéu de cawboy, cobrindo todo o rosto, mais chales, luvas etc). Gente, eu me sentia um monstro. E la vai eu, me batendo aqui, e alí, perguntando a um e outro que me tratava mal, (o que esperava? Quem me olhava, se perguntava de qual planeta eu estava chegando e corria) é vero, uma me olhou, qdo lhe perguntei, com uma cara que me fez medo, e virou as costas sem responder, eu gritei com toda força da minha raiva: MALEDUCATA!! Essa palavra sabia pronunciar bem. Resultado, qdo avistei a tal Questura , atraversei a calçada, no meio, tropecei, (não me perguntem como) acho que fui vítima da montanha de roupas que me envolviam e não aguentei segurar o peso, saí catando ficha até o meio fio, e alí bati a cara e fui parar no hospital. Por que isso aconteceu? Eu estava lutando com meu inconsciente, minha mente fraca me dizia que eu não ia conseguir, lutava com todo o potencial da minha mente, mas sem segurança. No fundo, torcia pra não encontrar a bendita Questura e voltar pra casa com essa desculpa. Qdo enfim avistei a Questura, a força negativa com a qual lutava, foi mais forte e me deu o golpe final, fazendo com que realmente eu não conseguisse. Fiquei com a cara inchada por vários dias e até radiografia tive que fazer. Esse episódio, ao primeiro instante, me soou como uma derrota, mas na realidade, foi o primeiro alicerce que estava começando a construir pra me tornar a pessoa que sou hoje. Muito, muito muito diferente, mesmo, muito forte interiormente, mas confesso que não foi fácil superar muitas coisas. Hoje ainda sinto dificuldades em dizer a minha idade, sofro ainda no primeiro impacto, mas já consigo fazer com mais desenvoltura.
Fim do capítulo. Aguardem o próximo
Samantha que bom que vc se lembra daquela fase. Espero que refresque a nossa memória com outros episódios
Bjs 12-12-04

From: Ly

Gente, quantas confissões.
Realmente Dona Alice, nossa eclética mãe, era infeliz e queria levar a gente com ela, lembro também de algumas coisas; eu era a rebelde, lembro uma vez, não tinha ainda o Iguatemi e ficávamos na avenida sete. Eu tava com uma calça cocota de veludo cotelê araçá, e ela disse que eu não ia sair, eu disse que ia, meninas ela rasgou a única calça que eu tinha, uma calça de veludo coletê, no meu corpo, acreditam??? Digo de novo, de veludo cotelê, fiquei com tanta raiva, não por causa da briga, pois tava pouco me lichando pra ela, mas pq rasgou minha única calça, que comprei com meu dinheiro. Ela ficou possessa, pois bem, vesti outra roupa e saí, ela não conseguiu fazer nada, só falar. Daquele dia em diante, ela mudou um pouco comigo, ela viu que eu não me calaria. E eu era o xodó dela.
Holly, vc sem querer, respondeu muitas perguntas do email anterior. Por isso que digo que terapia é bom, falando, vem a cura. Era por isso que vc era tão malvada e crítica, era só defesa, tava na hora de tripudiar, então vc ia à fôrra.
Eu tb era muito malvada, principalmente com Tess, ela era tão boazinha, me obedecia, lembro que fazíamos cocô juntas, eu sempre convencia ela a ir ao banheiro comigo, mas quando era a vez dela eu sempre arranjava uma desculpa. Gente, eu trancava ela no quarto de mainha e ficava do outro lado, lendo o livro do coração, lembram? Aquele que tinha o coração do bom, do ruim, do endemoninhado, ela chorava feito uma louca e eu só pirraçava, mas Tess, eu achei a razão. Vc provocou o meu desmame, drásticamente, e o pior era que vc mamou até 4 ou 5 anos. Lembro que até grande eu tinha raiva qdo mainha contava uma história que vc ficava pedindo na rua, dá peitinho mainha, dá peitinho. É tão sério, que eu tinha um ódio tão grande quando via alguém amamentando. Que maluquice!
Tess, lembra quando eu beliscava aquelas meninas catarrentas, como chamávamos? Quando todo mundo tava saindo da igreja, fazia um aglomerado na porta, e eu aproveitava pra beliscar, com muita força, as criancinhas, só ouviam o choro. É queridas nem Freud explica. Holly, eu tb tinha, como todas nós, a auto-estima destruída por Alice, ela me chamava nariz de batatinha, etc. Bem, que bom que superamos, né? Temos sequelas, mas vencemos.
Tess, eu lembro de alguns aniversários seus, lembro mesmo.
Não tínhamos bicicleta, mas tinhamos bonecas, quer dizer, você tinha eu não curtia muito boneca. Ah! tinhamos mesada , quero dizer, semanada, que elas não tinham
Ly 13-12-04

From: Holly
Vc não se lembra de tia Mary, não? Ela era irmã de mainha pela metade. Não me lembro bem da história, mas tia Ely sabe. A propósito, marquem um dia com tia Ely pra se reunir com vcs pra contar um pouco da história do nosso passado. Ela é o último ramo dos nossos ancestrais (por parte de mãe) que conhece a nossa história e a dos nossos ancestrais. Não deixem que ela parta sem nos deixar essa preciosidade. Se necessário, gravem ou filmem, será um presente precioso pra os netos e bisnetos de vcs. Já pensaram, se hoje tivéssemos um filme de um nosso trisavô? Hoje lamento admitir que esse conhecimento é uma coisa irrecuperável pra nós. Não saberemos nunca, como viveram os nossos bisavós, tataravós.Que bom que vc realizou esse seu sonho, Ly. Fico contente em ter podido promovê-lo. espero que sirva realmente e que vc se sinta satisfeita.
Bjs Holly 13-12-04

Boa idéia Holly, Tess, pode promover este contato com Tia Ely.
Meninas tô com as bochechas inchadas, mas já dá pra notar a diferença. Tô louca pra desinchar. Acho que foi por causa dos risos que fui obrigada a dar nos emails de Holly. Queria gargalhar e segurava as bochechas com as mãos, foi hilariante.
Bjs Ly 14-12 04

From: Samantha
Ly, vc não rir porquê? Colocou botox, foi? Esses e-mails de Holly estão mexendo com minhas memórias. Pena que tô com pouco tempo para escrever. Saí das flores e agora estou no Fórum das Pequenas Empresas. Depois do dia 20 vou me dar férias. Vou passar o reveillon em Guarajuba com Veronica, lembra Ly? - Agora o Natal, não sabemos. Acho que ese ano vai dispersar. Tess deve ficar com a família de Petter. Ly e Holly não veem e eu e Brena, como sempre, sobramos. Veronica me convidou para passar com a família dela e acho que vou pra lá.
Beijos, Samantha, 14/12/04

Estilo de vida que hoje (talvez) não existe mais!

From: Holly
Um outro capitulo da minha infância.
Eu e Nelly fomos passar as férias na casa de tia Mary (a irmã de mainha por parte de pai) em uma fazenda enorme, com vacas porcos, cabras, galinhas perús e muitos morcêgos dentro de casa. Sabem que os morcêgos não têm olhos e se guiam pelo som que emitem, tão agudo que nós humanos, não temos a capacidade de percepção. Aquele som, qdo retorna, o morcego sabe que tem um obstáculo e se desvia. Pois bem. Minha tia Mary (mãe de Mariana, lembram-se?) odiava esses morcêgos, pois o cocô deles era uma forma de tinta azul marinho, caia nas roupas e lençóis e manchavam pra sempre. Não sei pq isso me marcou. Essa mancha nos lençóis brancos se associa com alguém que estava muito doente alí, não me lembro quem, talvez meu tio pois tenho pouca lembrança do envolvimento dele conosco, e qdo me vem à mente me dá uma melancolia. Mas o fato é que aprendi muito sobre morcêgos, naquela época. De noite sentia um mix de medo e emoção, por ter que dormir com aqueles animais pendurados no telhado. No fim das contas aprendi a perder o medo e convivia já feliz e contente com eles.
Mas sei que era uma família extraordinária. Adoravam a gente. Me lembro que continuava a pedir a mainha pra deixar um de nós passar as férias lá. Nessa ocasião, fomos eu e Nelly. Gente, como nos divertíamos. Tinha tanta terra, tantas plantas. Muitos trabalhadores tb. Ali aprendi como se faz farinha e muitas vezes minha tia deixava que eu mexesse a farinha com uma colher de pau, enorme como um remo. Era um forno feito de barro enorme. Primeiro lembro que pegavam a mandioca, limpavam, descascavam e deixava varios dias de molho, até exalar aquele cheiro de coisa podre, como puba. depois escorria a água e depois, duas pessoas com um lençol uma em uma ponta e outra na ponta oposta, torciam aquela rede até tirar todo o líquido e ficar bem enxuta. Metiam no forno e mexiam até ficar torradinha. Adorava ver o processo. Outras vezes, era fazer azeite de dendê. Me empanturrava daqueles côcos vermelhos, cozidos. Achava delicioso, me lambuzava toda do óleo. Que coisa fantastica! Acho que hoje nem se fala em comer aquele côco, né? Com a caloria que tem... Pra fazer o azeite, deve primeiro cozinhar e depois extrair o óleo com vários processos (hoje arcáicos, lembro que eram instrumentos rudimentares feitos de madeira. Depois de cozido se podia comer, mastigar toda aquela palha, chupar o líquido e cuspir fora a palha e o caroço. Que bomba não deveria ser! Sim, me lembro que eu e Nelly, de dia brincávamos com os animais, corríamos fazendo pega-pega, e em um desses pegas, Nelly pegou feio. Tinha uma janela na sala bem baixa que dava pra o quintal, só que o terreno da parte de fora era bem mais baixo que o nível de dentro. Eu saltei com minhas longas pernas e Nelly veio atrás, mas como as pernas dele eram curtas, tropeçou no bordo da janela e caiu do outro lado, se ralou todo, acho que até hoje tem uma cicatriz em baixo das costelas, onde a ferida foi bem mais feia. Ele se lembra disso. Minha tia ficou numa preocupaçao, lembro do borburinho que fizeram, acho que com medo que mainha soubesse, sabendo como mainha era preocupada com os filhos. Me passaram um sabão danado. Qdo a tarde caia e começava a escurecer, gente que tristeza baixava na gente. Eu e Nelly confabulávamos, todas as noites, chorando escondidos com saudades de casa, mas de manhã era tudo diferente. Nesse periodo – vejam essa - me lembro que lá em casa estavam preparando uma grande festa, algo de extraordinário, pois antes de partir, lembro da folia dos membros da família e empregados, com os preparativos para o evento. Acho até que foi por isso que nos despacharam à casa de minha tia, pra terem mais tempo. Mainha num corre-corre, costurando um vestido maravilhoso pra Fanny, cor de rosa (lembro como hoje), cheio de babados e bicos, Dety (a nossa babà) que ia e vinha fazendo compras pra os preparativos da festa etc. Fiquei com uma pulga atrás da orelha. Era feliz porque iria passar as férias fora mas, ao mesmo tempo, gostaria de participar daquele GRANDE evento. Qual seria o motivo de tão grandioso evento? Direi agora o motivo da festa: A formatura de Fanny. Em que? Poderão me perguntar. Em ARTE CULINÁRIA. Gente, que coisa, viu! Lembro que até anel (de baleiro obviamente) foi preciso pra a "colação de gráu". Só que eu e Nelly, pobrezinhos de nós, estavamos longe, mas eu sabia o dia do acontecimento. Aí, comecei fazer inferninho pra pirraçar Nelly e deixar ele bem triste, bem mais triste do que eu. Como eu era pirracenta, meninas. Na véspera do tal acontecimento, sempre de noite, qdo a tristeza batia, comecei a inventar histórias pra Nelly ficar com raivinha, dizia que painho tinha comprado bolas gigantes de assoprar, e que um carro poderia passar por cima que não pocava, já pensou? E que todas as crianças iriam se divertir na festa, brincando com essas bolas e que Nando ia receber uma bicicleta lindíssima, e só nós não iríamos receber nadinha porque estavamos longe e por aí vai. (Acho que parecia um pouco com Lory, viu Tess) Lembro que, qto mais eu contava, mas Nelly choramingava, e eu futucava, e inventava até Nelly cair nos berros. Isso tudo, na minha mente de criança, achava que poderia contribuir pra que nos levássem embora logo, pra chegar em tempo pra festa. Senti uma inveja de Fanny! Achava que meus pais faziam isso tudo por ela porque ela era a mais importante. Qdo cheguei, olhava Fanny com uma certa admiração invejosa. Pensava: "por causa dela separaram a gente, mandando pra longe como se não nos dessem nenhuma importância, coisas de criança.
Mãe Primorosa 2
Sabe que mainha comemorava nosso aniversáario, todos os anos, né? Nesse dia, era já uma tradição, a aniversariante deveria se vestir toda de novo. Em um ano, daqueles, deveria fazer 7 ou 8 anos, me lembro que painho comprou uma bicicleta pra mim e Nando irmos pra escola, pq estudavamos longe e teriamos que ir a pé e seriam mais ou menos uns 5 km, vejam que coisa, só sei que essa bicicleta estava pra chegar em um trem, toda embalada. Chegou e comecei a aprender. No dia do meu aniversário, mainha me vestiu toda de novo, me lembro que era um vestido vermelho de flrozinhas, com saia volante. Me aprontou toda, me botou em cima da bicicleta, pq en não sabia sair sozinha, alguém me dava o impluso e eu girava e só parava em casa. E lá vou eu, toda orgulhosa no meu vestido novo, dia do meu aniversário, me exibindo toda, qdo chegou em uma rua estreita que teria de fazer a curva pra voltar, e aí, cadêe a nêga? Nada feito, caí, me ralei toda e voltei pra casa empurrando a bicicleta e chorando, esperando já a bronca. Mas sabe que até hoje eu faço esse ritual? Todo meu aniversário, tenho que vestir algo de novo, mesmo que passe em casa. Mainha era assim, às vezes muito contraditória. Parecia que nos adorava e ao mesmo tempo fazia coisas abomináveis. talvez pra minha pequena mente, às vezes a achava uma tirana. (em outra carta explico o pq dessas contradições)
Memória inoxidável
Um dia eu aprontei alguma, não me lembro bem o que, pois deveria ter uns 3 anos, mas me recordo bem. Sei que mainha e Dety brigaram muito comigo e eu chorei e tudo, não me lembro se me bateram. Só sei que me meti debaixo da cama e passei horas. Lembro perfeitamente (que memória!) que alí debaixo, eu comecei a matutar em viver ali pra sempre. Aì me perguntava "e o que vou comer?" vi aquelas bolinhas de la que se formam debaixo da cama, e pensei, posso comer essas coisas aqui (criança é doida mesmo) a um certo ponto, via os pés delas passarem aqui e ali me procurando, e eu quieta. Na minha mente, pensava que elas não sabiam onde me encontrava, pois elas passavam e diziam: cade Holly, gente, onde se meteu? (fingindo preocupação, como fazemos com as nossas crianças) é uma pena pois aqui tem uma coisa que ela gosta tanto, vamos comer tia Alice? (dizia Dety, pois chamava mainha de tia) eu saí me arrastando devargazinho pra fazer de conta que não tava nem aí e me aproximei da cozinha, pra ver o que era. Gente, vi uma coisa que me feriu à morte na época, olhem, criança é coisa seria, viu? Vejam como tratar com elas. Vi quando Dety olhou pra mainha e fez um gesto e piscaram o olho, como pra dizer viu aí que funcionou, ela tá chegando, e deram aquele sorrisinho no canto da boca, meninas, aquilo pra mim foi de uma traição tão grande, tanto é verdade que ficou na minha memória até hoje, uma confirmação de que deixou marcas em mim. Me baixou uma humilhação tão grande, me lembro que corri pra trás da porta chorando e pedi a Jesus pra mainha morrer, é mole, negas? Deveria ser bem pequena mesmo, pq, naquele mesmo período, sofri uma outra humilhação quadruplicada ainda, vejam como as crianças absorvem muita coisa naquela idade, qdo pensamos que elas não entendem nada. Me lembro que mainha um dia estava super atarefada e tinha acabado de me dar banho, aí me colocou em cima da mesa e chamou painho pra me passar talco, meninas, que vergonha que senti, qdo painho me passou talco na xereca, com uma ponça naquele momento senti tanta humilhação, agora eu pergunto, porque? Talvez seria pq não estava habituada em que meu pai me visse nua ou pq, por ser muito pequena, só naquele momento estava começando a despertar em mim aqueles sentimentos??? Pra isso acontecer, eu devia ser mesmo muito pequena, né? Agora me digam, àquela idade, como é que eu jà tinha vergonha da nudez, e de que meu pai mi visse nua? Não consigo excplicar. A vcs mães, a palavra. Bjs Holly 10-12-04

From: Tess
Meninas, ( Samantha), eu te ligo todos os dias, mas sua casa e uma delegacia de polícia, sempre ocupada e seu celular sempre na caixa. Precisamos de vc para fazer um texto pra Jô Soares e não te achei, ele já sabe da Banda e quer que eles sejam um dos primeiros entrevistados de 2005. Eu e Ly estamos doidinhas preparando o material que pediram. Hoje eles viajaram para Brasilia e só retornam segunda feira, estou eu e minha Bimba em casa, mas estamos duras, não tenho grana nem para gasolina, pois tudo que tinhamos, Petter levou para viagem, por isso, se quiser me levar para comer carangueijo tem que pagar o meu.
O email de Holly foi 10, devia passar para Nando ele ia amar....aliás quem tem o email dele?
Petter vai ficar com Dacki sábado e Domingo, e o bestão não sabe se vai poder assistir o show da banda é mole?
Bjs,Tess 10-12-04

From: Ly
Tess, acho que somos os patinhos feios. Não tivemos vó, nem essa infância familiar.
Em compensação fomos educadas por tantas mães e pais, não é???
Acho que morro de inveja (tem inveja boa????) de tudo isso, gostaria muito de ter vivido tudo isso, principalmente ter conhecido minha vó. Como ela era fisicamente? Como era a vivência com meu avô? Eles eram carinhosos? E mainha como era com ela?
Agora Holly, quero saber tudo, viu?
Samantha, nunca mais nos falamos, como vc tá?
Gente, ontem dia 09/12, foi a "formatura" de Falcon. Foi tão lindo, tão emocionante, detalhe, também não tive formatura de segundo gráu, vcs tiveram????, Não respondam assim vou ficar complexada. Tirei todas as fotos que tinha direito, no começo, só eu tava lá, senti um aperto no coração, pois a impressão que eu tinha era que todos os pais e mães estavam lá. Eles se sentiam tão importantes, pareciam que estavam colando o 3º grau.
Falcon tava muito excitado, depois chegou Tchole e foi melhor ainda.
O filho da mãe do pai deles, fiz uma relação de todos os dias de vestiibular, liguei pra ele, pedi pra ligar pra Falcon, dá uma força,etc, etc - mais um detalhe ele não tá fazendo mais nada, cortou o dinheiro que mandava pra os meninos, tem 1 ano que não paga nem a escola, nem a faculdade, cortou a assistência médica - o filho da mãe, não fez uma ligaçaozinha, pode?? Resolvi esqueçer que esta criatura existe e proibi os dois de ligarem pra ele. Não quero saber, vou ligar pra falar da separação e entregar ele na mão do DEUS VIVO.
Bem, o fato é que meu filho tava tão feliz, tão querido por todos, foi lindo, gente. Me senti tão orgulhosa, imagine quando Tchole se formar ano que vem, preparem-se, quero todas, entendeu bem, todas aqui. Preparem-se, é muito importante pra mim, tudo isto.
Nossa acho que a febre de Holly e Samantha tá me pegando, tô escrevendo pra caramba.
Bjs Ly 10-12-04

From: Tess
Holly, estou ADORANDO seus e-mails, gente, vcs mais velhos lá de casa tiveram uma infância mais rica que eu e Ly, pegamos as vacas magérrimas. Eu nunca tive bicicleta, nem me lembro de um único aniversário. Ai, que saudades de minha mãe....... Acredite holly, pode contar mais e mais que isso me serve inclusive de referência para Lory, aquela coisa que vc me falou em um e-mail anterior, que painho contratou um maestro da acordeon pra te ensinar, mas vc só fazia pra agradar a ele e que hoje nao te serviu pra nada, lembra? Isso me deixou com um sentimento de culpa, pois eu sempre exigi muito do piano de Lory, depois disso, vi que não era por aí, e saber coisas de mainha é simplismente maravilhoso. Conte mais, conte mais....
Tess 10-12-04
P.S. Entrem no site da Banda GV amanhã, vcs terão uma surpresa.

Contradições de uma mãe

From: Holly
Ly, ri tanto com sua carta, por que? Pq parei em uma frase (antes de ler o resto da carta) tentando descobrir quem era o indivíduo misterioso ao qual vc se referia, o filho da mãe do pai deles, meu Deus, - dizia - mas quem é essa figura complexa? o filho da mãe é um; a mãe do pai, é outro; o pai deles, outro, então, primeiro tenho que descobrir quem são eles, pra saber quem é o pai, ponto paragrafo. Daí então, tenho que descobrir que esse "pai" tem uma "mãe", a qual tem o tal filho em questão... Que quebra-cabeça é esse? Porca miséria! Só depois de quase enloquecer, resolvi ler o resto da carta e tive a confirmação de que o indivíduo existia e era o pai dos meninos. Nossa!!!
Bem, nossa avó Ly, parecia uma índia. Bem morena cabelos lisos magrinha e pequenininha. Acho que era envelhecida demais pra idade dela, que deve ter morrido acho que entre 46-48 anos, Ly deve ter nascido um ano ou dois depois da morte dela, mas lembro que o rosto dela era todo enrugado mesmo. Me lembro muito bem do período em que ela adoeceu e qdo morreu, cheia de feridas. Ficou marcado na minha mente pra sempre a imagem da saída do seu enterro, eu estava naquele terreiro grande e olhava aquela multidão de gente que se afastava, naquele caminho estreito, levando pra sempre a minha pérola preciosa, cantavam aquele hino de morte, da harpa cristã, ...quando eu estiver, morando lá... (não me lembro do resto), lembro que senti uma dor tão profunda, uma tristeza gente, que parecia que estava corroendo todo meu interior, acho que foi a primeira vez que vi alguém da familia morrer. Lembro que mainha e tia Ely, sofreram tanto, mainha chorou por muitos e muitos dias. Naquele tempo, qdo a mãe morria, (até parece que sou uma velha gagá, contando histórias pra os netos e bisnetos, peraê, né?), os filhos deveriam vestir preto por um ano, como luto fechado e os netos (ou filhos ainda crianças)poderiam vestir preto-branco por 6 meses. Me lembro que todos nossos vestidos (feitos pra o luto) eram preto com florzinhas brancas ou bolinhas brancas. Todas as outras roupas foram fechadas nas gavetas. Lembro que odiei esse período pq tinha um vestido amarelo com a barra toda bordada (igual a Fanny) que eu adorava mas não podia vestir. Qdo venceu o período do luto, foi a coisa mais maravilhosa, como se tivesse comprado um guarda-roupa todo novo, vejam que tradição naquela época. Qto ao relacionamento dela com meu avô, eu era muito pequena pra prestar atenção a essas coisas, mas não me lembro de ter presenciado nenhuma discussão entre eles, ou ela era do tipo submissa ou eram muito discretos. Sei que mainha adorava ela de uma forma obsessiva, pois da forma que sofreu, deveria ter um vínculo muito forte, lembro que por muitos meses as pessoas vinham tentar consolá-la. Creio que pra ela foi uma perda muito dolorosa.
Qto a formatura de segundo gráu, Ly, pra ser sincera nem me lembro do evento, aliás, nunca dei muito valor a esse ritual e nem gostava de participar às dos outros. Tive duas formaturas superior e não comemorei nem mesmo uma, imaginem de seg. grau, a única formatura que de grau mesmo devia ser zero, foi aquela de Fanny que contei na carta anterior, em "Arte Culinária", aliàs, minto, não foi arte culinaria mas (pasmem) de datilografia, com chapéu quadrado e anel de baleiro e tudo, acho que ela ainda tem a foto, pode?
É estranho, Tess que vc não teve comemoração de aniversários. Que me lembre, mainha não deixava passar em branco, fazia tortas e festinhas, talvez com vc foram só os primeiros anos, qdo vc era ainda bem pequena. Mas pra mainha era uma tradição mesmo. E eu adotei isso por todos os meus aniversários.
Mãe primorosa 1
Ela tinha a mania de todas as tardes, depois que tomávamos banho, vestia todos impecavelmente, cheio de laçarotes de fitas, meias e sapatinhos tipo balé, e colocavam todos sentados na frente da casa, cada um em uma cadeira, com uma banda de pão com manteiga na mão, como merenda. Gente, o que é que é isso! Qtas lembranças lindas me vêem em mente, realmente tivemos uma infância como manda o figurino, acho que a fase melhor foi de Fanny até Margie, e Samantha pegou um pouco tb. Sei que aquela banda de pão que cada um tinha na mão era como um prêmio, e esperávamos com ansiedade aquele momento. Aí, todos sentados com sua banda de pão na mão, ficávamos fazendo uma competição danada pra ver quem demorava mais pra comer. Qdo a fome era tanta, eu comia logo e não queria nem saber, mas logo que o meu terminava e via todos os outros com seu pão íntegro, ficava me mordendo de inveja, e começava a pirraçar, gritava "mainha venha ver, Nando está pitiscando pra o pão não acabar" (mainha não gostava que a gente passasse muito tempo com coisas na mão, pra não se sujar). Todos os vizinhos elogiavam o modo que mainha vestia os filhos, era famosa.
Como eu falei, mainha era muito contraditória. Não sei se vcs lembram, mas eu fiz xixi na cama até os 12 anos (mais ou menos) e minhas histórias sobre isso eram famosas, pois todos comentaram sobre isso e gozaram com minha cara por muitos anos, pq qdo não fazia na cama, me levantava dormindo e urinava dentro dos sapatos e em cima das malas que ficavam em baixo da cama, mas nunca dentro do pinico.(??) (Usávamos o pinico, ou bacio, ou vaso, como chamavam, pra fazer xixi de noite, pois o banheiro ficava fora da casa, no quintal, pode?) De manhã qdo os meninos metia os pés no sapato pra ir pra escola, encontravam a bela surpresa. Então, acontecia que apanhava muito por isso e, não sei porque, esse fato deixou uma ferida na minha psique muito forte. Ainda hoje qdo me lembro me aflora uma grande mágoa e meus olhos se enchem de lágrimas. Será pq, inconscientemente, sabia que era uma doença, um distúrbio (hoje sabemos que é isso mesmo, um distúrbio na criança que pode acontecer por causa de algum trauma na infância ou outros fatores) e mainha nao se importava (hoje sei que era por ignorância). O fato é que todas as vezes que acordava molhada, (e isso era quase todos os dias) as pernas começavam a tremer pq sabia que o cacau tava pra cair em cima de mim. Mainha pegava os lençóis e esfregava na minha cara, mas com toda a fúria mesmo, meu rosto ficava vermelho e muitas vezes me arranhava mesmo. Depois que exauriva as suas forças e a raiva, me fazia lavar os lençóis. Eu sendo já pré-adolescente, essas coisas me humilhavam à morte. Acho que a minha timidez (que era quase uma doença crônica) começou daí. Achava uma injustiça. Qdo era menor era uma criança vivaz muito sapeca e engenhosa. Lembram-se das minhas travessuras pra escapar de apanhar, não? Qdo fazia uma travessura, corria pra o sol pra mainha pensar que eu estava com febre e não me bater, o que acontecia pontualmente. Qdo eu e Nando fizemos alguma coisa grave, e mainha pegou primeiro Nando pra bater (pegavam primeiro os maiores) e enquanto Nando estava apanhando (isso não me lembro, mainha e tia Ely que contavam) disse que sai de joelhos com uma biblia de cabeça pra baixo (pois ainda não sabia ler) correndo (de joelhos) atràs de mainha e gritando, "eu canto um hino, mainha, eu canto um hino (na biblia). Mainha disse que qdo viu aquele quadro, começou a rir e em vez de me bater me agarrou no colo.
Criança estrategista
Me lembro que mainha comprou uma sombrinha pra mim e Fanny. Eu levava pra escola de manhã e Fanny levava de tarde. Um dia, qdo me sentei na carteira, - aquelas antigas que se sentavam em dois e tinha na frente uma gaveta pra colocar os livros - peguei a sombrinha e coloquei em pé debaixo da carteira (nao sei pq queria equilibrar a sombrinha em pé debaixo da carteira) sò que a sombrinha era levemente mais alta e eu forcei a entrada dela debaixo da carteira e o cabo quebrou. Gente, sabem o que representava isso pra nosso couro, né? Vejam a minha engenhosidade pra dispistar, pensando na minha mente infantil, que os adultos eram bestas: cheguei em casa, segurando o cabo agarrado à sombrinha pra disfarçar e corrir pra o quarto; pendurei o cabo na trave do guarda-roupa (onde se penduram os cabides) e botei a sombrinha caida dentro, pra dizer que botei a sombrinha inteira e quebrou sozinha. Como é que pode! Qdo Fanny foi pegar, eu corri na frente, Fanny viu o cabo sozinho e a sombrinha deitada e foi logo me acusando e eu, prontamente, "foi vc que quebrou, viu" foi vc que quebrou". Fanny foi logo falando com mainha que eu tinha quebrado a sombrinha, e eu bati pé firme que a sombrinha tava inteira que quebrou sozinha, ou entao foi Fanny que pegou de mau jeito e quebrou, é possivel, uma criança assim? Pois eu era. Tem muito mais, devagarzinho conto as minhas memórias.
Timidez e namorico de infância
Minha timidez deve ter sido talves, fruto desse episódio (o de urinar na cama). Me lembro que até pra entrar na faculdade, gente, foram Nando e painho me matricular porque eu não tinha coragem. Vcs acreditam que eu namorei 10 anos com Albert e nunca tive coragem de pronunciar o nome dele na frente dele, nem chamar pelo nome, nem manter uma conversa por mais de 2 minutos? Como é que ele me suportou, não me perguntem. Se ele me falasse eu respondia, sim, não, talvez. Até que um dia tive coragem de escrever a ele e terminar tudo. E eu gostava dele no início. Lembro que qdo viajávamos naqueles "pau-de-arara-" gente, isso era verdade mesmo???? Eram aqueles caminhões com aquelas tàbuas distribuidas em cima, pra servir de banco, coberto de lona, se fosse pra longe. Se partia, à destinação, cheio de gente, a cantar, "correrão sem se cançar" e ensaiar coral pra fazer bela figura etc. Velhos e jóvens, sem distinção, como é que pode um negócio desses! Era uma emoção incontrolável, qdo ia sair uma "caravana" . Na noite anterior, não conseguia dormir da emoção. Como era gostoso, surreal hoje, ao limite da ingenuidade mas tão satisfatório na época!!! Aí, em uma dessas viagens, a gente se paquerava, ele sentado atrás de mim, de vez em qdo, me dizia alguma coisa che me enchia o coração. Na volta viemos sentados juntos, pois era tudo escuro, né? (olha que eu tinha só 10 anos e 10 anos naquela época, eram 10 anos mesmo). Ele pegou na minha mão e uma descarga elétrica me percorreu todo o corpo, lembro como hoje. Fiquei numa felicidade, pq antes eu tinha dúvidas se ele queria a mim ou a outra amiguinha minha, que eu achava mais bonitinha pq tinha os cabelos lisos, já viu, né? A um certo ponto, vi a mão dele relaxar e ouvi nada mais que um belo ronco. Albert estava dormindo, gente. Aquilo pra mim foi uma decepção imensurável. Pensei: (vejam que mentalidade que já tinha) se ele dormiu é pq não gosta de mim, pois como é que se consegue dormir pegada na mão de quem se ama? Se gostasse de mim estaria tão emocionado como eu estou, já pensou, gente? A gente se namorou até os 20 anos, mas isso nunca saiu do meu coração, como se tivesse sempre uma grande dúvida entre nós. Só que depois ele se apegou demais a mim e eu perdi o interesse.
Aguardem o próximo capítulo.
Bay Holly 11-12-04

From: Ly
É nêga, vc tem história, viu????
Que negócio é este de irmã de mainha por parte de pai???? Não entendi nada.
Holly tive um aniversário parecido, foi o último aniversário comemorado, tinha 11 anos, lembro do vestido vermelho, que depois toda a igreja copiou, não ganhei uma bicicleta, mas andei na de Nelly, pelo círculo que tinha nela, lembro que não dava pra pedalar totalmente, mas não cai.
Gente, não lembro de nada até uns sete anos.
Formatura de ARTE CULINÁRIA, pode??? morri de rir, sem poder.
Ly, 11/12/04

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Crianças, e também adolescentes!

From: Brena
Olá tia Holly,
Tudo beeeeeeeem? Quanto tempo hein?
Tô com saudade de vc, do meu tio Danny e do tio Roby. Como estão todos?
Beijos em cada um. Minha pantera tá bem? Cuidem bem dela. Um dia vou aí e quero ela inteirinha pra mim! Toda bela.
Eu soube que vc vem em novembro. É verdade? Tô ansiosa por isso!
Vamos lhe aguardar pra matarmos a saudade e viver boas farras. Olha minha tia Katy disse que a casa de praia dela será liberada por uma semana só pra você/ Tenho certeza que vc vai adorar. Lá é massa e muito bonito. Tudo de bom!!!
No mais um pedidinho bastante interessante. Traga muitos euros pra gente
passear, traga bastante presentes italianos para mim, e pra minha querida mamãe não traga nada. Quando chegar aqui vc dá o presente dela. Quer dizer,
também vou na ponga!
Vc não deu uma maquininha pra tia Tess? Agora é a vez da minha mãe.
Que tal dá uma maquininha pra ela também! Bem que ela merece, coitada! Dá
tanto duro mas o salário que é bom, não dá nem pra uma bicicleta! Socorro,
eu não aguento mais andar de ônibus- busu! Gostou do pedido? Pequenininho,
né? Isso memso, quem tem grana, sai de Roma e vem Brasil gastar! Tá bom!?
Beijos mil
Sua sobrinha mais maravilhosa e linda de todas.
Brena 25-07-03
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From: Tess
Oi Holly,Viu só como as crianças aqui são espertas? A única tia que pode fazê-las sonhar com grana e coisa boa é a tia da Itália porque o resto minha filha, ai,ai. Lory vive falando pra avó que vai viajar pra Itália pra ver Tia Holly. A avó fica pedindo para ir junto e ela diz:" não Vovó lá todo mundo fala Inglês e você não vai entender nada." Agora me responda, e ela vai entender alguma coisa? Mas ela acha que é uma boa desculpa para a avó se contentar.
Acabei de ligar pra o advogado e ele sempre dando desculpas, eu já falei para a secretária dele que você está chegando no final de outubro e que vai querer uma decisão, seja com ele ou outro advogado. Vamos ver se ele se mexe.
Outras de Lory:
Esses dias ela me viu pintando o cabelo aí ficou no meu pé, percebi que ela estava meio triste, perguntei o que era e ela me disse " mamãe sabe o que esses cabelinhos brancos significam, é que você está ficando velha", dei risada e disse e daí, ela me respondeu" eu não quero mãe velha, mãe velha morre logo" é mole?
Ontem ela me disse que eu ia morrer e que ela ia ficar sozinha com o pai, eu não sei se esse é o desejo dela ou se é algum pressentimento (??)
Tem mais ou menos um ano que ela chegou para o pai e disse no ouvido dele " papai, porque você não troca de namorada" aí ele disse ai, ai, ai se sua mãe sabe disso, aí eu quis saber e ela não queria me contar de jeito nehum, por fim ele me contou, dei um esporro tão grande nela que ela ficou com a consciência doendo, mas que me deu uma raivinha deu.... Pois é, por isso que eu digo que para eles o mundo está muito mais fácil, a gente é que fica se remoendo, sofrendo e eles vão vivendo de uma forma muito suave.
Ela não suporta me ver assistindo jornal nacional, mas na maioria das vezes fica do meu lado enchendo o saco, mas prestando atenção a tudo, nessas ondas de enchentes ela ficava impressionada e me pergunta:
a) mamãe, tudo que fala no jornal é verdade? sim filha, é, respondi.
b)Fomos no sábado almoçar fora, quando estávamos no restaurante caiu um temporal, uma coisa horrível, o retaurante encheu e água as ruas ficaram alagadas e ela entrou em pânico, quando depois de muitas tentativas conseguimos entrar no carro ela falou meio chorando, mamãe vai passa isso no jornal mas a moça vai dizer: " mas ninguém morreu" não é mãe? morrendo de medo que alguma coisa nos acontecesse.
c) Quando ela viu a previsão do tempo no jornal ela me perguntou?: Como é que ela sabe que vai chover amanhã? (achei uma pergunta inteligente para a idade dela)
d) Como sempre ela sempre fica retada porque eu estou assistindo o jornal, aí ela deitadinha na cama e meio emburrada: " tem mãe que assiste jornal e tem mãe que não assiste para brincar com as filhas" aí eu respondi: a mãe que não assiste jornal fica desinformada, não é uma pessoa inteligente, aí ela respondeu na maior falsidade: " ainda bem que minha mãe assiste jornal"
Esses dias ela está impressionada com a morte aí me perguntou:
a) quando todas as crianças nascerem ( acho que ela se referia as crianças da nossa familia), aí você morre?
b) Mamãe, quando todo mundo morrer o mundo vai ficar sozinho? papai do céu vai criar tudo de novo?
O lado Espiritual
a) Faço culto domestico com ela todos os dias, tenho uma biblinha infantil que cada dia do ano faz um estudozinho, aí estava falando que Deus era invisível, a gente não conseguia ver ele mas ele via a gente e estava ali, sentadinho do lado dela,ela ficou surpresa e impressionada, olhou para o lado dela e apontou, : ele está aqui?! aí eu disse, está sim, ela mais que depressa estendeu a mãozinha pro lado vazio e disse : muito prazer!
b) Estavamos no transito e ela estava ajoelhada no banco de trás do carro olhando " a Vida", de repente ela disse: Ai! - Perguntei, o que foi filha, ela disse : alguém bateu na minha bunda, acho que foi papai do céu, ele deve está querendo brincar! ( de uma coisa eu sei, ela aprendeu a lição de que Deus está sempre perto)
c) Mamãe, quando papai do céu nasceu já existia as flores? ( é mole, como vou explicar que papai do céu nunca nasceu?)
c) Ontem no cultinho doméstico eu estava entusiasmada contando que Jesus era o filho de Deus, ela me olhou com um espanto e disse: ôxii, ele é filho dele mesmo? ( achei isso fantástico, so foi difícil explicar, já pensou, como fazer uma criança de 5 anos entender a Trindade, até hoje eu não consegui entender direito
imagine!!!!) Depois tem mais,
Tess 28/07/03

sábado, 8 de dezembro de 2007

Criança tem cada uma!


From Tess -

Oi Holly,
Estou com problemas na internet por isso não te escrevi antes. Você recebeu meu cartãozinho de natal? Bem, meu ano novo não foi tão exótico quanto o seu mas foi legal, não saimos para lugar nehum, armei uma ceia na varanda, com direito a um vinhozinho surpresa e tudo. Ficamos nòs tres vendo os fogos que eram soltos na barra, foi legal, Lory ficou eufórica.
Mais uma de Lory: não sei se te falei, mas ela se apaixonou por um garoto de 14 anos, imagine, filho de uns amigos da familia de Petter, o menino é uma gracinha, Holly você não acredita, Lory muda completamente de comportamento
quando o menino aparece. Primeiro peguei ela sentada no colo dele no maior assanhamento, ele trata ela como uma criança, mas ela fica cheia de amor prá dar, quando eu vi aquele assanhamento todo, chamei ela e dei um esbregue, sabe o que ela me disse? " minha mãe eu acho ele fofinho" pode? aí eu disse, tomara que seu pai saiba disso viu? Querendo me livrar da responsabilidade é claro! quando estávamos em casa, nós três á mesa do jantar ela começou:
meu pai, eu conheci um menino, ele deve ter uns 11 ou 12 anos( Imagine!), puxa meu pai eu acho ele tão fofinho!!!! quase tive uma crise de riso, imagine você com uma filha de 4 anos de idade dizendo uma barbaridade dessas?! Petter pirou, disse que temos que controlar a vida de Lory, que não é possível que uma menina dessa idade faça um comentário desses e bla, bla bla é mole?
Dia 29 é o aniversário dela, vai fazer 5 anos, meu Deus como o tempo passa rápido.
Bem, eu já liguei para o advogado sobre a causa do seu apartamento, e como sempre as mesmas respostas. Eu tenho um amigo que é amississimo de Petter, ele é Juiz no inetrior, passei todas as informações para ele e ele ficou de resolver tudo pra mim, disse que ia na defesa do consumidor, ia ver em que pé estavam as coisa e ia tentar acelerar, ele é gente boa, acho que ele pode fazer alguma coisa, mas ele só retorna de férias em fevereiro, por isso quero que você espere um pouco antes de falar com o advogado, de qualquer forma eu vou ficar pentelhando ele daqui, qualquer coisa eu te falo.
O que è mesmo que tenho que buscar no cartório prá você???????
Beijos Tess 7/01/04


From: Holly

Oi Tess
Dei muita risada com sua filha. Que besteira é essa sua e de Petter? Eu acho
que vocês devem levar com a maior naturalidade possível. O fato de chamar
ela pra reclamar, ou reprovar o comportamento dela, é muito mais perigoso, e
chama a atenção dela (que tem um caráter decidido) pra valorizar a coisa
proibida. A desdramatização é a melhor coisa a ser feita. Quando ela diz que
o menino é fofinho, essa é a realidade dela e nenhuma reclamação vai mudar a
sua convicção. E isso não quer dizer que na mente dela possa aflorar uma
associação simpatia-sensualidade, nem pense isso. Ela é uma menina que
começa a demonstrar a mulher que será no futuro, sensível ao fascínio
masculino e isso não é nenhum pecado, e ninguém poderá mudar esse traço que
lhe é peculiar, ao contrário, poderá distorcer e mais tarde se tornar bem
mais complicado; são retalhos da personalidade dela que de vez em quando aflora e que em um futuro farão parte da gama dos seus valores. Você deve
levar em banho-maria, mesmo que por trás você se morda: "É Lory, ele é muito
bonitinho, quando você tiver a idade dele...quando você crescer... quando
você for adulta... (deve frisar essa condição) você também vai encontrar um
garotinho assim fofinho, mas como você é uma criancinha ainda..." esclarecer
que não tem nenhuma importância ela achar os menininhos bonitinhos, que bom
que você sabe fazer a diferença, diminuir a euforia de forma não dramática,
entende? Talvez são os seus olhos que conferem uma "mudança de comportamento",
que pode ser somente uma reação natural, pelo fato de receber a atenção por
parte de quem ela tem admiração seja porque, na cabeça dela ele é um "fofinho",
ou por outras qualidades que ela intercepta mas não tem ainda condições de
expressar, não tome isso como "fogo" é impossível. Vá mansinho.
Achei ótimo seu fim de ano. Às vezes essas coisinhas íntimas marcam mais do
que uma grande cerimonia.
Adorei essa idéia do juiz, vou esperar, quando for o momento de telefonar
você me diz. Estou torcendo pra que alguma coisa aconteça. Ótimo.
Olhe, você deve pegar os documentos do meu casamento naquele ofício civil
que não me lembro qual. Acho que é o primeiro, sei que é pra quem casou no
exterior. Você deve levar uma cópia da procuração pra anexar aos documentos.
Ela deu uma semana pra aprontar, logo já deve estar pronta.
Diga a Samantha pra me escrever.
Beijos 7/01/04